O que se destacou durante este tema do workshop foram os desafios na identificação e compreensão dos organismos e ecossistemas mais do que humanos que poderiam potencialmente tornar-se parte da organização. Ao mesmo tempo, cada um dos grupos deste tema identificou caraterísticas valiosas que um modelo zooperativo deve envolver. Com exceção do tema 'direitos da natureza' (workshop 1), as conversas neste tema foram mais amplamente orientadas para diferentes modos de ouvir e prestar atenção aos ecossistemas circundantes:
Os participantes discutiram modos de "reflexão", "definição de objectivos", "cuidados colectivos", "empatia", "ligação", "assistência", "enriquecimento de conhecimentos" e "tomada de decisões colectivas".
A identificação de diferentes organismos levou inevitavelmente os participantes a discutir as dificuldades de compreensão de vastos ecossistemas locais e levantou questões sobre a forma como o ciclo iterativo do modelo zooperativo poderia ser utilizado para construir mais conhecimentos sobre os ecossistemas ao longo do tempo.
Um dos grupos atribuiu o papel de orador a um ecologista experiente que foi capaz de mudar as perspectivas entre as diferentes espécies na entrevista, o que resultou numa conversa inspiradora e enriquecedora que proporcionou aos habitantes da ecovila e a outros participantes novas perspectivas sobre o que os rodeia.
Para além de defenderem diferentes modos de ouvir e atender que poderiam ser incentivados através do modelo zooperativo, os participantes recomendaram que cada decisão da organização só deveria ser tomada depois de "ouvir" a "voz da natureza". Outras recomendações incluem pensar não só na vida mas também na morte, assegurar perspectivas a curto e a longo prazo, integrar os impactos externos do ecossistema neste modelo, o objetivo de "crescer para o equilíbrio", fazer com que os organismos se sintam "em casa", criar uma ampla aceitação da preocupação com outras espécies entre os habitantes da Ecovila, centrar-se em elementos como o solo e a água, e transmitir conhecimentos e ligações às gerações seguintes.
Embora este tema não tenha incidido diretamente sobre a utilização de tecnologias digitais no âmbito do modelo zooperativo, estas discussões podem servir de base a vários caminhos para repensar as tecnologias da biodiversidade. Por exemplo, como é que as tecnologias digitais podem ajudar ou prejudicar a compreensão dos ecossistemas locais? Como é que diferentes modos de ouvir e atender aos ecossistemas podem ser documentados através das tecnologias digitais? Ou como é que esse conhecimento pode ser expandido de forma iterativa e preservado?